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Resiliência Familiar

Hoje apresentamos um post da Dra. Roseane Palma, psicóloga especializada em dor. Boa leitura!

O termo resiliência, originário da física, foi adaptado ao campo da psicologia e, em particular, da saúde, relacionado à capacidade de regeneração, adaptação e flexibilidade. Na física resiliência significa propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora de uma deformação elástica.

O mesmo termo Lidar com suas dores e tomar as rédeas da própria vida torna alguém resiliente. A despeito das crises enfrentadas como doenças, guerras, situações de risco ou traumáticas, algumas pessoas conseguem uma adaptação satisfatória na vida afetiva, na vida social e no trabalho.

Uma pesquisador, Walsh (2005) construiu uma estrutura conceitual que denominou “funcionamento familiar efetivo” para avaliação das práticas em resiliência familiar.

A autora entendeu que a estrutura deste estudo era um valioso instrumento para seu objetivo e, com isso em mente, os três domínios utilizados pelo autor são descritos e comentados a seguir:

Sistemas de crença familiar

Quando uma família compartilha seus pensamentos e sentimentos sobre uma determinada situação, ela constrói um novo significado. Partindo da crença de que o significado da adversidade é socialmente construído, ela poderá enfrentar uma doença, tendo em vista um desafio compartilhado e contando com colaboração mútua.

A aceitação dos limites facilita que esforços sejam concentrados no que é possível e possa estimular a esperança como convicção projetada no futuro, independentemente da situação atual.

  • Extrair significado da adversidade
  • Perspectiva positiva
  • Transcendência e espiritualidade

Padrões organizacionais

São os padrões de interação e regras consistentes, com alguma estabilidade e rotina, que garantem confiabilidade e a sensação de continuidade no tempo.

A ideia de coesão não parte de um modelo rígido e inflexível de uma relação fusionada. Ao contrário, a conexão refere-se à manutenção da unidade familiar, com respeito pela autonomia dos membros da família, flexíveis o bastante para manter relação de troca e suporte com a comunidade e a família estendida e papéis alterados em novos arranjos, caso seja preciso.

  • Flexibilidade
  • Conexão
  • Recursos sociais e econômicos

Processos de comunicação

Para lidar com situações de estresse e manter opções de enfrentamento estratégico, a família necessita buscar e compartilhar informações. Essa atitude ajuda na construção do significado da situação de forma compartilhada e consciente.

Compartilhamento de sentimentos mantém um clima de confiança e empatia. Compartilhar sucessos, mesmo que pequenos, estimula a confiança familiar para enfrentar desafios maiores, enquanto compartilhar erros pode reformular objetivo e estratégia na resolução dos problemas.

Portanto, solucionar problemas de forma colaborativa pressupõe o reconhecimento do problema, observar a importância e possibilidade de resolução, trocar ideias e finalmente tomar decisão.

  • Clareza
  • Expressão emocional aberta
  • Resolução colaborativa dos problemas

Princípios básicos fundamentados nos estudos de Walsh (2005) sustentam que a força individual interfere no contexto da família, episódios de crise e estresse afetam além do indivíduo, processos familiares podem promover tanto a recuperação quanto aumentar a vulnerabilidade individual.

Diante do exposto, a autora desse artigo considerou que, na tentativa de entender quais podem ser os esforços de uma equipe multidisciplinar para encorajar e fortalecer processos facilitadores de resiliência na família em crise pela doença, os indicadores de Walsh (2005) oferecem possibilidades instrumentais de investigação muito interessantes.

Um pouco da história

Um olhar da psicologia para aspectos potencialmente saudáveis, ligados à motivação e capacidades humanas, aconteceu especialmente a partir de 1988, investigando características e propriedades familiares que ajudariam em situação de crise e observando a importância do grupo familiar neste processo.

Pouca produção científica existe ainda sobre resiliência, mas um movimento vem acontecendo nos últimos dez anos, na expectativa de que profissionais insiram o construto da psicologia positiva em seus estudos.

Em busca de trabalhos sobre o tema escolhido, a autora utilizou os seguintes descritores: resiliência psicológica (resilience, psychological), doença crônica (chronic disease), dor crônica (chronic pain), tendo encontrado 238 trabalhos nas bibliotecas científicas.

Ao incluir o descritor catastrofização (catastrophization), foi alterada a estratégia de busca e os resultados chegaram a 9.688 trabalhos, que incluíssem apenas aqueles com seres humanos no PubMed.

Esse resultado denuncia que a investigação e a busca de compreensão ainda contemplam os estudos da psicologia tradicional, com ênfase em aspectos psicopatológicos.

Precisam ser considerados novos horizontes para pesquisa nas áreas de ciências humanas e sociais no sentido da compreensão do que seja saudável no ser humano, em oposição à psicologia tradicional com enfoque nos desajustes e conflitos.

Na perspectiva sistêmica descrita no início do artigo, o conceito de resiliência traz o desafio do conhecimento que justifique os aspectos da saúde familiar.

Referência:

WALSH, F. Fortalecendo a Resiliência Familiar. Tradução de Magda França Lopes. São Paulo: Roca, 2005

Rosane Palma, psicóloga

 

 

 

 

 

Atualizado em 30/06/2016

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