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O cuidado paliativo proporciona um final de vida mais digna e com menos sofrimento

Concomitantemente com a longevidade e o envelhecimento das populações, cresce o número de pessoas com doenças crônicas. Os casos de doenças terminais também têm crescido. Para se ter uma idéia, a cada ano, aproximadamente 9 milhões de pessoas adoecem com câncer e 70% delas vão a óbito em decorrência dela. Dois-terços destes casos ocorrem em países em desenvolvimento, que não contam com recursos para o controle da doença.

Estas doenças causam dor e sofrimento tanto para o paciente quanto para seus familiares ou cuidadores, afetando negativamente sua qualidade de vida.

Frente a esta situação, primeiro surgiu o Movimento Hospice, há mais de 30 anos, e depois os cuidados paliativos. Posteriormente a OMS tomou estas iniciativas para si e se propôs a difundir os cuidados paliativos em nível internacional.

Em 2002 redefiniu conceitos anteriores para o seguinte, ” Cuidados Paliativos é uma abordagem que aprimora a qualidade de vida, dos pacientes e famílias que enfrentam problemas associados com doenças ameaçadoras de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, por meios de identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual”.

Dr. Roberto Levin, em publicação na Organização Pan-Americana de Saúde, faz esta ressalva, “Estima-se que nos próximos anos, cerca de 1 milhão de pessoas na América Latina e no Caribe necessitarão de cuidados paliativos. O pior de tudo é que a maioria dos pacientes oncológicos em nossos países falece em condições deploráveis: sem a analgesia adequada e sem os cuidados que uma doença terminal requer”.

Com esta crescente demanda também cresce a necessidade de todo profissional de saúde estar preparado para prestar o cuidado paliativo, garantindo assim ao seu paciente, familiares e cuidadores, a dignidade no fim da vida.

Ele/a faz isto gerenciando a dor e outros sintomas de doenças progressivas e terminais, fornecendo suporte psicológico e considerando outras questões éticas. Mesmo assim, o cenário atual evidencia quão poucos estão treinados para prover estes cuidados de final de vida . Mas, há uma luz no fim do túnel, um crescente número de países demonstram preocupação em diminuir as barreiras que impedem a prestação do cuidado paliativo compreensivo.

Mesmo nos países onde os cuidados paliativos são oferecidos com algum grau de qualidade, há deficiência de uma boa coordenação. Segundo publicação em The Lancet, revista científica referência do Reino Unido, apesar daquele país ter alcançado o primeiro lugar entre 40 países em uma pesquisa da EIU sobre a Qualidade da Morte (mais sobre esta índice e seus resultados no próximo post), ainda precisa ter uma melhor coordenação do cuidado paliativo.

De acordo com a publicação, no país que presta os melhores cuidados paliativos, dos 500,000 óbitos todo ano, somente 18% morrem em domicílio, enquanto 66% dos pesquisados gostariam de morrer em domicílio.

Outros números interessantes no que diz respeito à necessidade cada vez maior dos cuidados paliativos: pelas projeções elaboradas pela Divisão de População da ONU, os idosos brasileirios de “65 anos e mais” deverão passar de 10 milhões para 50 milhões entre 2000 e 2050 e os idosos de “80 anos e mais” deverão passar de 1,7 milhão para quase 14 milhões no mesmo período.

Números significativos, não são?

Mais no próximo post! Paz e bom final de semana!

Fontes:
Artigo publicado pela OPAS sobre cuidados paliativos (port.)
Definição da OMS – cuidados paliativos(inglês)
http://www.who.int/en/

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