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Medicina do Estilo de Vida

A esta altura, muitos leitores podem estar se perguntando, “qual medicina?!” É isso mesmo. Se perguntar a uma pessoa, “o que é fundamental para uma boa saúde?”, provavelmente ouvirá a resposta que atividade física, alimentação e outros aspectos do nosso estilo de vida conduzem para uma boa saúde. Porém, se pedir para dizer mais especificamente como, poucos teriam esta resposta na ponta da língua.

Eis a razão do post de hoje: compartilhar informações de que já tem médicos da comunidade científica utilizando intervenções em estilo de vida como modalidade terapêutica, e baseado em evidências.

Em 2007, com o objetivo de ensinar médicos a educar seus pacientes sobre o efeito de mudanças de estilo de vida na saúde, foi fundado o American College of Lifestyle Medicine (ACLM). Em português, o Colégio Americano de Medicina do Estilo da Vida.

Definição da medicina do estilo de vida: prática médica baseada em evidências mediante a qual indivíduos e famílias são assistidos na adoção e manutenção de comportamentos saudáveis que afetam a saúde e a qualidade de vida.

Equilíbrio, saúde, vitalidade

Alguns exemplos de comportamentos do paciente-alvo incluem:

  • eliminação do uso do tabaco
  • melhoria da dieta alimentar
  • aumento da atividade física
  • moderação no consumo de álcool.

Valores: práticas de vida e hábitos de saúde estão entre os determinantes de saúde mais importantes do país. A modificação de comportamentos não-saudáveis ​​é fundamental no cuidado ao paciente, prevenção de doenças e promoção da saúde.

Para melhorar comportamentos de saúde e seus resultados, um elemento-chave é o relacionamento de confiança entre médico e paciente, com o suporte da família, uma equipe interdisciplinar, e a comunidade.

Intervenções em estilo de vida como tratamento

A medicina do estilo da vida utiliza intervenções em estilo de vida como modalidade terapêutica no tratamento e controle de doenças.  De acordo com Dr. John J. Kelly, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, um dos fundadores da ACLM e presidente da entidade, ” Não conseguiremos solucionar os problemas de saúde da sociedade a menos que mudemos nosso foco do cuidado agudo e episódico para a promoção da saúde e bem-estar – a medicina do estilo da vida.”

Não dá para voltar o relógio, mas dá para começar a criar uma nova história.

Já se foi o tempo em que a medicina era visto como meramente curativo; hoje a medicina preventiva ganha terreno cada vez mais. Esta nova especialidade visa criar saúde diminuindo a dependência em remédios através da disseminação da prática de mudanças individuais em estilo de vida.

Dr. James M. Rippe, professor-assistente em cardiologia da Escola de Medicina da Universidade de Tufts e editor da Revista Americana de Medicina do Estilo de Vida, no entanto, deixa bem claro, ” …não é um movimento anti-medicação, nem anti-procedimento médico.”

Aumento dos males apesar dos avanços

Sabemos que, apesar do aumento de longevidade na população e os avanços tecnológicos, as pessoas estão sendo acometidos cada vez mais jovem por males como o câncer, diabetes, hipertyensão, ou doenças cardiovasculares, por exempl com alto custo para a saúde pública. Enxaqueca, obesidade, alergias, estão entre as condições cada vez mais frequentes, e podem levar a uma série de comorbidades. Estas são apenas algumas numa longa lista de doenças contemporâneas que a sociedade enfrenta. Sem contar com o crescimento de doenças crônicas e degenerativas que estamos testemunhando.

Os médicos do estilo da vida propõem a aplicação de intervenções em estilo de vida como mais uma arma no arsenal médico no combate às doenças. Dr. Rippe ressalta, ” Ignoramos por tempo demais nossa arma mais poderosa, quando ela deveria estar na primeira linha de defesa. Ele e seus colegas propõem a incorporação do conhecimento científico na prática da medicina, principalmente na atenção primária à saúde.

Muitos médicos vagamente recomendam que seus pacientes percam peso, ou que durmam mais, mas não necessariamente sabem como ajudá-los a fazer isto. Além disso, muitas vezes o próprio médico pode ter hábitos pouco saudáveis que o impede de oferecer orientação! Por exemplo, um médico sobrecarregado, privado de sono e que sobrevive comendo” qualquer coisinha” quando dá tempo, talvez se sinta inibido de aconselhar o paciente, por ele mesmo não ser um bom exemplo. Já pensou nisso?

Enfim, não resta dúvida que este tipo de intervenção no estilo de vida é fundamental na promoção da saúde e reestabelecimento do equilíbrio do ser humano, e que a melhor forma de disseminar esta prática médica é sua integração à grade curricular na formação do médico. Com relação aos pacientes, sua disseminação viria nos consultórios e mediante programas de conscientização nos sistemas de saúde pública.

Alimentação rica em frutas e verduras

JÁ VIU?