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Mais eficaz tratar a dor pélvica utilizando abordagem biopsicossocial

By Dr. Fabrício Dias Assis

A dor pélvica crônica é a causa de 10% das consultas ao ginecologista e ainda, muitas vezes, constitui um grande desafio. Destas pacientes, em torno de 40% são submetidas a uma laparoscopia, e, ainda assim,  algumas continuam com a mesma dor, quando não pioram. E por que isso acontece? Basicamente duas são as causas principais das falhas: o não reconhecimento do conceito da Dor Total e a falta de um diagnóstico preciso.

A abordagem ao paciente com qualquer tipo de dor crônica deve ser instituída de forma interdisciplinar, em conjunto com o médico de dor, o fisioterapeuta, o psicólogo especialista em dor, uma equipe de enfermagem especializada, assim como outros profissionais médicos e paramédicos – dependendo das características individuais de cada serviço.

A interação desta equipe parece ser o principal determinante para o sucesso do tratamento do paciente com dor crônica. Esta forma de tratamento em equipe é chamada de modelo biopsicossocial e baseia-se no conceito da Dor Total.

Neste modelo uma análise de todos os aspectos do paciente é realizada, não centralizando a terapia somente nas alterações de ordem física. Os aspectos emocionais, socioculturais, familiares, financeiros, entre outros, também são avaliados, e são importantes para selecionar quando instituir terapias mais invasivas.

Pacientes com distúrbios afetivo-emocionais devem ser vistos com reserva para estes procedimentos, assim como pacientes com problemas trabalhistas. A atuação do psicólogo especialista em dor é muito importante nestes casos para auxiliar na seleção correta dos pacientes.

É importante lembrar também da grande relação entre dor pélvica crônica, especialmente a endometriose, e a fibromialgia. Devemos ter cuidado especial com estes pacientes e envolve-los em toda equipe interdisciplinar.

O médico intervencionista em dor também tem um papel fundamental no manejo do paciente com dor pélvica crônica, podendo ser decisivo para o seu correto diagnóstico e tratamento. A utilização dos bloqueios diagnósticos pode ser muito útil em diferenciar se estamos nos deparando com uma dor visceral, uma dor neuropática ou uma dor de parede. O bloqueio diagnóstico pode ser realizado para testar a hipótese de que determinada estrutura seja a fonte da dor do paciente.

O alívio da dor é o critério utilizado. Se a dor não é aliviada, sua causa deve ser outra. Desta maneira podemos utilizar o bloqueio do plexo hipogástrico superior ou do gânglio ímpar, infiltrações musculares e bloqueios de nervos periféricos.

Uma vez o diagnóstico seja feito pela equipe, os bloqueios também podem ser utilizados para ajudar no controle da dor.

Dentre as várias técnicas terapêuticas utilizadas, destacam-se os bloqueios anestésicos ou neurolíticos, o uso da radiofrequência convencional ou pulsátil, a utilização da toxina botulínica (BTx-A), e a colocação de estimuladores medulares ou de nervos periféricos e de bombas de infusão espinhal de fármacos. Todos estes procedimentos devem ser feitos com o paciente acordado, sob sedação, e guiados por radioscopia ou ultrassonografia.

Plexo Hipogástrico Superior

O PHS é formado pela confluência da cadeia simpática lombar e por ramos do plexo aórtico, que contém fibras do plexo celíaco e mesentérico inferior. Recebe também, fibras parassimpáticas que se originam das raízes anteriores de S2 a S4, e que atravessam o plexo hipogástrico inferior até o PHS. As principais indicações deste bloqueio são endometriose, dispareunia, cistite intersticial crônica, e dores relacionadas ao útero e anexos, bexiga, e parte da vagina.

Gânglio Ímpar

O gânglio ímpar é o gânglio mais caudal do tronco simpático e marca o final das duas cadeias simpáticas. Normalmente é um gânglio único, produzido pela fusão dos gânglios dos dois lados e, em geral, está localizado na linha média. Pacientes com dor vaga, tipo queimação, localizada na região perineal, frequentemente associada com urgência miccional podem se beneficiar com este bloqueio.

Acolher o paciente com dor é o primeiro passo para ajuda-lo.

E como diz a frase budista:

“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”.

Biografia Dr. Fabrício Dias Assis da clínica de dor SINGULAR

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