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John Loeser – as 5 crises no manejo da dor

Atualmente tem várias crises ocorrendo no manejo da dor em vários países, de acordo com Dr. John Loeser, clínico da dor internacionalmente renomado, professor de Cirurgia Neurológica, Anestesiologia e Medicina da Dor da Universidade de Washington, Seattle, EUA.,

Achei interessante repassar um resumo do conteúdo do seu artigo publicado na revista da Associação Internacional para o Estudo da Dor. Suas colocações, com relação à posição atual do manejo da dor, poderão ser pertinentes para nós aqui no Brasil porque são uma forma de nos precaver ou contornar estas situações vivenciadas nos países desenvolvidos, onde atualmente há maior acesso à e aceitação da especialidade.

Como a especialidade de dor é relativamente jovem no nosso país, atentar para esses pontos desde o começo conscientiza para o estabelecimento de políticas e critérios que evitem esses tipos de problemas que os países desenvolvidos enfrentam.

De acordo com Dr. Loeser, as crises proeminentes em lidar com a dor hoje são:

1 – falta de evidências para os resultados da maioria das coisas que os provedores de cuidados fazem para os pacientes;

2 – formação inadequada dos provedores de cuidados primários sobre a dor e como tratá-la;

3 – largo desconhecimento do tratamento com opióides para pacientes com dor crônica não-oncológica;

4 – financiamento da medicina da dor, e

5 – acesso ao cuidado multidisciplinar.

Ele ainda ressalta, ” todas essas questões podem parecem maiores nos Estados Unidos que em outros lugares, mas não são exclusivas a esse país. Sim, há outras questões, mas, a mim estas parecem ser as mais importantes.”

Dr. Loeser não mede palavras. Entre outras questões, ele levanta, “por que qualquer sistema de saúde financiaria cuidados que não têm nenhum benefício conhecido para o paciente?”

Na visão dele, falta os profissionais comprovarem a eficácia dos tratamentos de dor que oferecem aos pacientes e pergunta, “como vamos encontrar essa evidência?” Na opinião do médico, a resposta é simples. “Como profissionais de saúde temos que documentar o que fazemos com os nossos pacientes e ter um registro de como a nossa intervenção/as drogas/os tratamentos afetam nossos pacientes, ” diz ele.

A fim de coletar essas informações muita coisa tem que mudar em nosso sistema, como certos países e até mesmo as províncias canadenses fizeram. Na Suécia, todos os pacientes tratados em qualquer programa de reabilitação são inseridos em um registro nacional. Em Quebec, todos os pacientes que são atendidos em clínicas de dor terciários também foram inseridos em um banco de dados com um acompanhamento de no mínimo de 6 meses. Na Noruega, todas as prescrições são inseridas numa base de dados nacional, que é usado para controlar o abuso de opióides ou benzodiazepínicos.

Uma forma que ele vê de conseguir os dados (resultados e dados demográficos) seria de atrelar o reembolso do médico pelo sistema de saúde à consulta e ao fornecimento dos dados de acompanhamento 6 e 12 meses após o tratamento.

Bom, Dr. Loeser levantou muitos pontos que conduzem a uma reflexão séria. Vale a pena ler na íntegra o artigo onde ele aborda cada uma das cinco questões.

Tenham um ótimo fim de semana!

Fonte: Clinical Updates in Pain no website do IASP

Atualizado em 23/02/2013

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