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Índice de Qualidade de Morte e Acessibilidade aos Cuidados Paliativos

Qualidade da Morte – Brasil 38º lugar

Em uma análise da qualidade da morte em 40 países, realizada pela consultoria EIU (Economist Intelligence Unit, parte do grupo do jornal britânico, the Economist), o Reino Unido ficou em primeiro lugar no ranking dos que fornecem o melhor cuidado para quem está próximo de morrer.

Mesmo com excelentes sistemas de saúde, países como Japão e Finlândia ficaram em 28 º e 32º respectivamente e surpreendentemente a Dinamarca ficou em 22º. Os mais baixos no ranking foram os países em desenvolvimento e do BRIC. O Brasil ficou em 38º!

O objetivo da pesquisa, encomendada pela ONG cingapuriana Fundação Lien, foi de “identificar os lugares no mundo e as áreas de prática onde está havendo maior progresso, assim como avaliar onde mais trabalho ainda é necessário para melhorar a acessibilidade a e a qualidade dos cuidados de final de vida em nível global.”

“O controle da dor é o ponto de partida de todo o tratamento paliativo e a disponibilidade de analgésicos é fundamental para o cuidado no final da vida” aponta o relatório.

Ressalta ainda, “…o fator humano não deve ser subestimado porque o cuidado de final de vida implica muito mais do que tratamentos médicos e analgésicos. Certamente a deficiência de enfermeiras e médicos treinados é uma barreira à melhora da qualidade de morte. Mas o cuidado de final de vida tem de ser um esforço multi-disciplinar.”

Trecho da introdução do artigo:

“Qualidade de vida” é uma expressão comum. A maioria das ações do ser humano ostensivamente tem como objetivo a melhora de qualidade de vida, seja do indivíduo ou da comunidade, e o conceito por final caracteriza a maioria dos aspectos da política pública e privada. Os avanços em atenção à saúde foram responsáveis pelos ganhos mais significativos em qualidade de vida nos últimos tempos: que o homem hoje vive (em média) mais tempo, e com mais saúde do que antes, já está bem estabelecido. Mas “qualidade de morte” já é outro assunto. A morte, embora inevitável, causa sofrimento ao ser contemplado, e em muitas culturas falar dela é tabu. Mesmo nos lugares onde a questão pode ser abertamente discutida, as obrigações implicadas pelo juramento de Hipócrates—com toda razão o ponto de partida de toda medicina curativa—não encaixam facilmente nas demandas do cuidado paliativo antes da morte, quando a recuperação do paciente é improvável, e, em lugar disso, fica o médico (ou, mais frequentemente, o cuidador) incumbido de minimizar o sofrimento frente a aproximação da morte. Muitas vezes tal cuidado simplesmente não está disponível: de acordo com a Aliança Mundial de Cuidados Paliativos, enquanto mais de 100 milhões de pessoas beneficiariam anualmente do cuidado paliativo ou de hospice (inclusive os familiares e cuidadores que precisam de suporte e assistência para prover o cuidado), menos de 8% desses que precisam dele tem acesso a ele.

Poucas nações, inclusive as ricas com sistemas de saúde excelentes, incorporam estratégias de cuidados paliativos em suas políticas de saúde—mesmo que, em muitos desses países, o aumento da longevidade e do envelhecimento populacional significam que provavelmente a demanda para cuidados de final de vida aumentará consideravelmente. Ao redor do mundo, treinamento em cuidados paliativos raramente integra as grades curriculares de ensino para profissionais da saúde. É muito comum instituições especializadas no provimento de cuidados paliativos e cuidados de final de vida não estarem integradas aos sistemas nacionais de saúde, com muitas delas dependentes do seu status de voluntariado ou de organização de caridade. Além disso, a disponibilidade de analgésicos—a opção mais básica na minimização do sofrimento—infelizmente é deficiente na maior parte do mundo, freqüentemente por causa das preocupações sobre uso ilícito e tráfico. O resultado desta situação é um excesso incalculável de sofrimento, não apenas para aqueles que estão prestes a morrer, como para seus entes queridos também. Fica evidente que a inclusão mais profunda dos cuidados paliativos em políticas de saúde mais abrangentes, e a melhora dos padrões dos cuidados de final de vida—melhorando a “qualidade de morte”—também produzirão ganhos significativos em qualidade de vida para a população. (Tradução livre: Camille Khan)

Fonte: http://www.eiu.com/site_info.asp?info_name=qualityofdeath_lienfoundation&page=noads&rf=0

Outros links sobre o assunto:

http://www.conexaomedica.com.br/wp/tag/alianca-mundial-de-cuidado-paliativo/
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/07/brasil-e-antepenultimo-em-ranking-de-qualidade-da-morte.html
Clique aqui para baixar o artigo da EIU na íntegra (.pdf em inglês)

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