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É PRECISO AMPLIAR O COMBATE ÀS DORES NO CÂNCER

Em alguma fase da doença, oitenta por cento das pessoas com câncer sentirão dor.

Esta semana fazemos um hiato em nossa série de artigos sobre joelhos para um exercício de cidadania em relação ao tema “Acesso a medicamentos para dor no tratamento do câncer”.

Primeiro, algumas informações rápidas sobre as dores do câncer. São classificadas em três categorias: dor nociceptiva, dor neuropática e dores mistas. Podem ser oriundas do tumor – quando passa para órgãos, nervos ou outras partes do corpo; das lesões ocorridas depois de cirurgias ou tratamentos; e/ou dos efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos como cirurgias, radiação e quimioterapia. Quando estas dores atrapalham as atividades rotineiras do paciente, reduzem sua qualidade de vida.

Dores oncológicas têm tratamento.

Embora seja possível alívio da dor do câncer, infelizmente, aqui no Brasil, o acesso a analgesia continua difícil e muitos pacientes sofrem dor desnecessária, tanto na rede pública quanto privada. Os planos de saúde somente são obrigados a cobrir custos com medicamentos para a dor neuropática, ignorando as dores nociceptiva e mista!

Pela escada analgésica instituída pela OMS e seguido por médicos ao redor do mundo, a farmacoterapia é o primeiro tratamento indicado e os fármacos mais indicados para a dor severa e contínua são analgésicos e opiáceos, sendo a morfina a mais conhecida do último grupo. Você sabia que o consumo per capita desses medicamentos é um dos critérios utilizados para avaliar o Índice de Desenvolvimento Humana (IDH)? Lembrando que o IDH é representativo da qualidade de vida existente no país .

Nos EUA, o consumo é de 693,44 mg de opioides per capita, no Brasil, 11,72 mg. Somente de morfina per capita, os EUA registram um consumo de 73 mg e
Brasil, 5,13 mg. Estes números demonstram a diferença entre os dois países no quesito acesso ao tratamento do primeiro escalão de tratamento das dores oncológicas e consequentemente a qualidade de vida possivelmente experimentado durante o curso da doença.

Mas, há alguma luz.Grafico-consumo-morfina-2010-EUA-Brasil

Antes da próxima atualização de normas que dispõem sobre os tratamentos que os planos de saúde são obrigados a cobrir,  a ANS abriu Consulta Pública No. 59 para contribuições pelo público até dia 19 de julho. Veja como participar no post anterior>> Quanto maior o número de contribuições, maior será a pressão para ter mais tratamentos antineoplásicos incluídos no rol de cobertura pelos planos. Atualmente, os planos cobrem apenas medicamentos para a dor neuropática.

Se os tratamentos orais para a dor nociceptiva e mista no câncer forem acrescidos a esta normatização, esperamos que na próxima atualização seja incluído algum tratamento intervencionista, a exemplo do que ocorreu em janeiro de 2014 quando a Radiofrequência para Dor Lombar foi incluído no rol de tratamentos para coluna. É um caminho no qual precisamos persistir na busca da universalização do acesso aos tratamentos de dor no combate às dores do câncer.

As terapias intervencionistas são utilizadas quando a dor do paciente não melhora com as terapias indicadas nos primeiros degraus da escada de dor. Existem bloqueios, como o neurolítico que, quando precocemente instituídos, reduzem o consumo de opióides e os efeitos colaterais relacionados a estas medicações, tais como constipação intestinal, náuseas, vômitos.

Ainda tem implantes de bomba intratecal de fármacos que reduz drasticamente o consumo de opióides e também reduz os efeitos colaterais dessas medicações. A radiofrequência dos nervos esplâncnicos ou bloqueio neurolítico do plexo celíaco trazem alívio para a dor do câncer de pâncreas/fígado ou da pancreatite crônica.

Enfim, temos que trabalhar ativamente para assegurar que um dia doentes de câncer possam ter acesso a todo o rol de tratamentos que constam na escada analgésica da OMS. Para isto, não basta esperança, precisamos agir e fazer ouvir nossas vozes!

 

 

 

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