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TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR DE DOR – ALTERNATIVA NA REDUÇÃO DO USO DE OPIÓIDES?

Esta foi uma proposição feita por um médico na semana passada (10/02/2017), no portal painmedicinenews.com. Achei interessante o comentário que ele publicou sobre o tratamento multidisciplinar de dor no contexto de orientações sobre prescrição de opióides, cujas novas diretrizes pelo CDC mergulhou aquele país em uma controvérsia sobre o subtratamento daqueles sofredores de dor crônica que realmente precisam do medicamento e que agora terão seu acesso restrito e como isto pode levar à compra do medicamento “na rua” ou até a idosos ficarem sem controle adequado da dor.

O autor aborda o tema de forma interessante, pois, mesmo reconhecendo a necessidade de controlar a prescrição abusiva de opióides, também sugere uma maneira alternativa de atender às necessidades do paciente de dor crônica mediante programas de tratamento
multidisciplinares de dor, um conceito que já existe há quarenta anos, mas, que ainda não está totalmente acessível à população em geral, mesmo num país como os Estados Unidos. O que fazer para o paciente de dor crônica utilizar um programa de tratamento multidisciplinar da dor?

No artigo, Dr. James Choo, diretor do Pain Consultants of East Tennessee Surgery Center e membro anterior do Comitê de Prescrição de Opióides do Tennessee Medical Association, reflete que, para muitas pessoas, as novas diretrizes sobre opióides parece levar a crer que o tratamento de dor se equivale à prescrição de opióides.

Ele elucida que o tratamento da dor crônica não se resume à prescrição de opióides, que é algo com nuanças mais finas e que o abuso dos opióides tem tirado o foco da pandemia atual de dor crônica, que é mais pervasiva e cara que a crise atual dos opióides nos EUA.

O artigo traz à nossa atenção a necessidade de aprofundar nos tratamentos de dor disponíveis atualmente, dado à natureza complexa e multidimensional da dor. Na opinião do Dr. Choo, precisamos educar o público sobre o que funciona e o que realmente ajuda a controlar a dor crônica.

O médico propõe a promoção e adoção do modelo multidisciplinar, um conceito que já existe há mais de quarenta anos e que está bem fundamentado com estudos, sugerindo a descentralização para que os pacientes tenham acesso em nível regional, com valores mais em conta para a maioria da população. Desta maneira, seria possível adaptar o modelo aos pacientes nos seus próprios meios culturais e sociais.

De acordo com ele, tudo isso encaixa perfeitamente no construto do modelo biopsicossocial de cuidado, onde uma equipe de provedores de cuidados, cada um com suas perspectivas únicas das capacidades e limitações do paciente, trabalham para a reabilitação do paciente. Muitos programas multidisciplinares de dor incorporam fisioterapia e terapia ocupacional, serviços psicológicos, educação sobre a dor e nutrição, entre outros serviços.

Nesse modelo de cuidado, os programas têm como meta o bem-estar e a qualidade de vida. Nos casos de sucesso, o paciente, por se sentir melhor fisicamente e psicologicamente, consegue voltar a funcionar no seu cotidiano, muitas vezes conseguindo a redução gradual dos medicamentos.

Até as empresas ganham com esse tipo de programa de reabilitação da dor crônica, diz o doutor Choo, porque no longo prazo isto reduz os custos de compensação e os custos com a saúde. Em seu artigo, “Tratamento Multidisciplinar dos Doentes com Dor Crônica”, Dra. Lin Tchia Yeng e Prof. Dr. Manoel Jacobsen Teixeira da HC/FMUSP, citam U$80 bi gastos anualmente nos EUA no tratamento dos indivíduos em faixa etária produtiva e U$64 bi na perda da produtividade.

Outros programas efetivos estão disponíveis nos centros especializados em dor e também nos centros acadêmicos onde estudam a dor.

Uma desvantagem, segundo o médico, é que muitos pacientes acabam chegando nesses serviços por conta própria e seus seguros de saúde não cobrem esse tipo de programa. Limitações financeiras, de seguro, de tempo, e muitas vezes até falta de motivação impedem o paciente de entrar nesse tipo de programa.

A proposta mais interessante no comentário do Dr. James foi a necessidade apontada do desenvolvimento de novos modelos multidisciplinares (por quê não um modelo de acordo com a realidade brasileira?) que contemplem reabilitar o paciente fisicamente e emocionalmente mais cedo e durante todo programa de controle da dor, e que sejam economicamente viáveis, mais acessíveis e implantáveis, para uma fatia maior da população de sofredores de dor crônica.

 

Artigo original: Multidisciplinary Pain Treatment In the World of Opioid Guidelines [Link Pain Medicine News]

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