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Tom Petty: morte acidental por sobredosagem de opioides e mistura de medicamentos

Confirmada a morte acidental de mais um cantor famoso por uso excessivo de opioides e mistura de medicamentos – um alerta para a população de que é necessário ter cuidado e atenção ao fazer uso dos analgésicos opiáceos.

Estes medicamentos são muito potentes e eficazes no controle da dor, mas, eles têm uso específico, por tempo específico, e o/a paciente precisa estar ciente de quão fortes e letais eles são e seguir as orientações para o uso correto deles, principalmente do fentanil.

É como dirigir um Ferrari, só que da analgesia…rápido e potente (35 vezes mais potente que a heroína), mas, se acelerar demais, pode perder a direção e bater! Ou seja, nada de doses extras por conta própria quando a dor aperta, e procure sempre estar bem-informado quanto aos efeitos do medicamento.

Fique por dentro:

  • Fentanil – Analgésico potente desenvolvido para uso como anestésico durante cirurgias, sob supervisão do anestesiologista, ou como analgésico por poucos dias após cirurgias grandes ou acidentes, ou nos cuidados de final-de-vida, sob supervisão da equipe paliativa.

O que acontece quando excede a dosagem prescrita

Os opiáceos agem nas áreas do cérebro que controlam a respiração e o sono, diminuindo a frequência respiratória e cardíaca. Por isso, quando ocorre a sobredosagem (dosagem excessiva), a pessoa pode ficar inconsciente, em coma, e ir ao óbito. Encontraram no corpo de Tom Petty, que já tinha uma história de doença coronária, uma mistura de fentanil e outros opioides junto com benzodiazepínicos (remédios para dormir e para ansiedade), que  aumentam a característica sedativa dos opiáceos.

A última turnê com dor

O ícone de rock americano do Hall de Fama do Rock’n roll, faleceu em outubro de 2017 aos 66 anos, uma semana depois de encerrar um turnê de mais de 50 cidades em que tocou e cantou para seus fãs com uma fratura no quadril esquerdo, além de problemas de joelho, enfisema e doença coronária. Teve uma parada cardíaca em sua casa em Malibu (EUA), chegou a ser socorrido, mas não resistiu. Segundo o release da família Petty, “No dia em que morreu foi informado por seus médicos que a fratura tinha evoluída para uma ruptura completa (…)”.

O caso fez manchetes novamente na semana passada quando finalmente saíram os resultados do exame legista de Los Angeles. Causa da morte: falência múltipla dos órgãos por sobredosagem de opioides e mistura de medicamentosAcharam fentanil, oxicodona e outros remédios para dormir e combater a depressão.

“Muitas pessoas que tomam doses excessivas de medicamentos começam por causa de uma lesão legítima ou simplesmente não entendem como são fortes e letais essas medicações,” disse a viúva Dana Petty. A família espera que a morte do cantor possa servir de alerta sobre o abuso de opioides legalmente prescritos e ainda salvar vidas.

Como identificar uma sobredosagem

como identificar uma sobredosagem de opiáceos

1.Pupila puntiforme 2. estado inconsciente 3. frequência respiratória diminuída,

Estatísticas alarmantes nos EUA

Os dados da OMS mostram que as mortes por sobredosagem com opiáceos prescritos era mais de 5 vezes as mortes por heroína ilícita (16651 a 3036) e que em 2015, um terço dos americanos recebeu prescrição (dados do CDC). E o Brasil vai pelo mesmo caminho? O consumo per capita de morfina de 11 mg/ano mostra que estamos longe dos 700 mg/ano dos EUA, mas isto não quer dizer que estamos tratando a dor o suficiente, principalmente a dor oncológica. Ainda há trabalho e conscientização a fazer.

fonte:businessinsider.com. Mortes por sobredosagem de opioides 1999-2016.

Misturas de medicamentos podem ser letais

Os analgésicos e sedativos (calmantes) estão entre os medicamentos mais prescritos nos EUA, sendo seus efeitos comuns, a diminuição da frequência cardíaca e respiratória. O Anvisa de lá, o FDA, adverte que a combinação dos dois pode levar à diminuição da respiração, coma e morte. Outro dado interessante que a OMS divulgou é que a combinação álcool-sedativos é a mais frequentemente identificada em sobredosagens fatais.

“ Sentimos que a dor estava insuportável e foi a causa do seu uso excessivo de medicamentos”, disse a família de Tom Petty e esperam que a causa de sua morte sirva de algum modo para salvar a vida de outras pessoas, trazendo ao debate o abuso dos opioides.

Cabe uma reflexão. Tom Petty um auto-declarado, ex-usuário de heroína, seria um bom candidato a tratamento com opiáceos para sua dor não-oncológica ou teria sido mais adequado um controle de dor com anti-inflamatórios?

Sua morte demonstra que, antes de instituir qualquer regime de controle de dor, para prevenir contra o abuso do opioide e a possibilidade de uma mistura letal de medicamentos, é preciso fazer uma análise minuciosa do perfil do/a paciente. 

Descanse em paz, Tom. Você até a cortina final alegrou o mundo com sua música. (20 melhores músicas)

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