Recursos de Enfrentamento da Dor Crônica

Apresentamos a seguir um post escrito especialmente para o nosso blog, pela psicóloga clínica Rosane Raffaini Palma, que atua em São Paulo e participa das reuniões interdisciplinares no Singular – Centro de Controle da Dor, e que publicou dissertação acerca da resiliência. Na semana passada refletimos sobre o enfrentamento da dor crônica e achei que seria interessante aprofundar um pouco nos recursos deste enfrentamento.

encarando o medoEnfrentamento é um processo de mobilização emocional, cognitivo e comportamental, que visa adaptação à situação de crise e tem sido estudado para lidar com o estresse encontrado nos pacientes com dor crônica. Nestes casos, o psicólogo, em seu trabalho de investigação, observa a funcionalidade das estratégias de enfrentamento da pessoa doente e sua família, que respondem de uma forma ou outra às exigências que lhe são impostas.

  • Estratégias de enfrentamento mais estudadas:

negação – poderoso mecanismo contra a ansiedade que pode ser adaptativa, transitória e desadaptativa e constitui-se em um meio eficaz de proteção emocional;

repressão – lembrança esquecida e expulsa da consciência;

projeção – desejo ou impulso atribuído à outra pessoa ou objeto;

deslocamento – redirecionamento das características de um objeto para outro (mais fácil de lidar);

sublimação – diante das limitações do ambiente, conseguir o máximo grau de satisfação;

formação reativa – reação oposta à pulsão que deseja rejeitar;

regressão – retorno a formas anteriores de funcionamento e desenvolvimento;

racionalização – negar os aspectos emocionais dando ênfase a uma abordagem intelectual;

voltar-se contra si próprio – direcionar a agressão contra si mesmo, podendo evoluir para automutilação e suicídio.

  • Comportamento de enfrentamento relacionado às fases da doença:

DIAGNÓSTICO: em uma primeira fase da doença é preciso aceitar o diagnóstico; reconhecer os limites da saúde; buscar informação no sentido de regular emoção e resolver problemas; adaptar-se a uma nova realidade; aceitar cuidados e planejar o futuro. A família pode colaborar mantendo o questionamento e a discussão abertos e apoiando as capacidades que o doente preserva. Neste momento é disfuncional negar as mudanças necessárias e culpabilizar familiares.
TRATAMENTO: durante o tratamento é importante lidar com questões como sucessos e remissões da doença, implicações financeiras, reorganizações e partilha de tarefas familiares.
FINAL: ao final de uma doença é necessário assimilar a noção de cura criando flexibilidade das expectativas; lidar com eventuais efeitos colaterais na retirada dos medicamentos para dor; desenvolver novos papéis dentro do sistema familiar; reintegrar-se ao meio social. Neste momento são disfuncionais, medos excessivos, manutenção de modelo mental de doente e ganhos secundários com a doença.

  • Conclusões

O enfrentamento da doença é um processo que se modifica no curso do tratamento e se torna eficiente quando ameniza sentimentos difíceis, associados a perdas ou ameaças.

Referência:
Peçanha, D. L. N.”Câncer: Recursos de Enfrentamento na trajetória da doença” In: Carvalho V. A. (org) Temas em Psico-Oncologia.São Paulo: Summus, 2008 p. 209-217

Rosane Palma, psicóloga

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    obrigada Dr. Charles! Mais uma matéria interessante de se ler e aprender.