Espondilose – Parte II

11 nov

Quais sintomas o médico verifica para diagnosticar a espondilose? Que tipo de exame é feito e quais são os tratamentos disponíveis?

Dando sequência ao post da semana passada, Espondilose Parte I, em Parte II descreverei os principais sintomas, diagnóstico, e as principais modalidades terapêuticas usadas no tratamento desta doença degenerativa, que altera vértebras e discos  intervertebrais, articulações facetárias ou ambos.

Vale lembrar que fatores de risco são idade, ocupação, lesões em alguma vértebra da região e fatores genéticos.

A formação de hérnias de disco e osteófitos (“bicos-de-papagaio”) é mais comum do que se imagina e muitas vezes a pessoa não apresenta sintomas. Estas alterações nas vértebras  podem causar estenoses (estreitamentos do canal espinhal ou do forame intervertebral) e pode haver redução de altura e volume dos discos intervertebrais.

Quando a degeneração é crônica, a medula espinhal, as raízes nervosas e tecidos moles circundantes podem ser afetados, ou seja, os nervos, músculos e tecidos. A finalidade dos tratamentos é reduzir a compressão sobre estas estruturas que estão causando a dor,  podendo a pessoa alternar entre períodos de crise e outros sem sentir dor.

A dor espondilítica costuma agravar com o início dos movimentos e melhora com a continuidade.

Sintomas

Espondilose cervical

No geral, a espondilose cervical é assintomática.  Em pacientes com sintomas, queixas comuns são: dores no pescoço, rigidez, espasmos musculares, dores de cabeça ocasionais.

Se uma vértebra ficar fora do lugar, os nervos locais podem ser pressionados ou pinçados, podendo ocorrer: formigamento ou dormência nos membros superiores, dores e fraqueza nos braços (radiculopatia cervical).

Regiões que podem ser afetadas por dor referida

Complicações

Mielopatia cervical (compressão da medula espinhal ou raízes nervosas na região do pescoço); pontos dolorosos; tetraplegia; paraplegia.

Espondilose lombar

Dor, dor ciática, fraqueza muscular, dormência ou ardência ou “choquinhos”  na região lombar, nas nádegas ou nas pernas.

Dermátomos associados com os nervos da cabeça, do pescoço e da coluna. Dor irradia para estas zonas através das suas ramificações nervosas.
            (Fonte: http://doctorspiller.com)

Complicações

Perda de coordenação e dificuldade em caminhar (claudicação neurogênica ou mudança na forma de caminhar causada por pressão nos nervos que mandam sinais para os músculos da perna), paraplegia, incontinência urinária, infecções recorrentes do trato urinário.

Diagnóstico

A avaliação inicial começa com um histórico bem detalhado e exame clínico completo com teste provocativo no caso de dor lombar crônica. Estes primeiros passos são complicados pela subjetividade das experiências dos paciente com dor de coluna crônica e pela dificuldade inerente em isolar a região anatômica de interesse durante teste provocativo sem a influência das estruturas vizinhas.¹

Exames radiográficos, sejam eles raio-X convencional, TC, mielograma TC, ou RMN, podem apresentar evidência útil na confirmação de algum achado durante o exame clínico e localizar uma lesão degenerativa ou área de compressão nervosa. No entanto, a ciência das imagens é imperfeita, conseguindo identificar a causa de uma dor lombar, por exemplo, em apenas 15% dos pacientes quando há ausência de herniação discal clara ou déficit neurológico.²

Sintomas de compressão dos nervos  também podem ser confirmados por exames eletromiográficos, demonstrando retardo na condução do estímulo nervoso motor e sensorial normal distal com teste de agulha. Injeções diagnósticas podem facilitar a localização desses nervos, isolando e anestesiando as raízes nervosas irritadas (bloqueios radiculares), ou bloqueando os geradores de dor suspeitos dentro das articulações facetárias, das articulações sacroilíacas como exemplos.²

Tratamento

Os primeiros passos no tratamento da espondilose consiste de:

- terapia não medicamentosa: alongamentos; fisioterapia, ou um programa de exercícios orientado por fisioterapeuta ou educador físico; aplicação de calor,  educação postural; terapia ocupacional ou recreativa, manipulação da coluna, terapia multidisciplinar com uma abordagem biopsicossocial, TENS (estimulação elétrica transcutânea);

- terapia  medicamentosa para tratar os sintomas: analgésicos (ex.: paracetamol, dipirona) ou opióides, no caso de dor severa; AINEs (antiinflamatórios não-esteróides por período curto); relaxantes musculares. Para dor crônica, antidepressivos tricíclicos (ex,amitriptilina) ou duais ( ex, duloxetina) . Quando o paciente não responde a estas primeiras opções terapêuticas, passa-se para o próximo degrau de tratamentos que são os tratamentos intervencionistas minimamente invasivas para o manejo da dor.

Os mais comuns utilizados são:

- injeções epidurais de corticosteroides

- injeções sacroilíacas (somente para espondilose lombar)

- injeções facetárias

- IDET (terapia intradiscal eletrotermal)

- anuloplastia por radiofrequência (RF)

- descompressão da raiz nervosa ou do cordão espinhal

Como podem ver, pela possibilidade da degeneração ter várias origens, além do tratamento medicamentoso, a fisioterapia ou as terapias intervencionistas (e, em caso da ameaça de danos maiores aos nervos, a cirurgia), é necessário que o paciente seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar especializada para assistí-lo, não somente nos tratamentos, como também na educação sobre as mudanças de estilo de vida necessárias para ajudar a atenuar os sintomas de dor.

Com um programa de controle da dor, espera-se melhorar a capacidade funcional do paciente, proporcionando a volta às suas atividades e a reconquista de sua qualidade de vida.

E, volto à tecla da prática da atividade física regular na prevenção de doenças.  Tenham um bom fim de semana e até a próxima!

Referências

¹Middleton, K, Fish, DE. Lumbar spondylosis: clinical presentation and treatment approaches. Curr Rev Musculoskelet Med. 2009 June; 2(2): 94–104.

²Boswell MV, Trescot AM, Datta S, et al. Interventional techniques: evidence-based practice guidelines in the management of chronic spinal pain. Pain Physician. 2007;10(1):7–111.

³Lamer TJ. Lumbar spine pain originating from vertebral osteophytes. Reg Anesth Pain Med.1999;24(4):347–51.

  • mundosemdor

    Obrigado, Fernanda. Continue nos visitando e recomendando!

  • mundosemdor

    Você merece uma abordagem interdisciplinar, com participação do médico, fisioterapeuta, psicólogo, psiquiatra, enfermagem, etc. Somente assim para resgatar sua qualidade de vida.

  • mundosemdor

    Prezada Lidiane, ambos podem estar certos. Se pensarmos na artrose de coluna cervical e se há dor durante a extensão da coluna cervical, o nado crau pode provocar-lhe dor. Mas, se a artrose é apenas um achado de seu exame e sua dor não exacerba com a extensão e ao contrário, alivia com a natação, siga adiante!

  • mundosemdor

    Conforme publicado no blog, os procedimentos por radiofrequência para tratamento de dor de coluna estão no rol da ANS/2014.

  • mundosemdor

    Prezado Daniel, o exame de imagens é apenas um complemento do exame clínico e exame físico. Bloqueios diagnósticos (você pode ler sobre o assunto no blog) ajudam a esclarecer a origem da dor. Assim, um correto tratamento poderá ser indicado.

  • mundosemdor

    Patrícia, as degenerações fazem parte de nossa história assim como as rugas do rosto.
    E podemos viver bem assim. Controlando a dor, seja farmacologicamente ou com algum tipo de intervenção minimamente invasiva, você poderá fazer uma reabilitação física adequada e seguir “para sempre” um programa de atividade física. Aí mora o seu segredo!

  • mundosemdor

    Adriano, essas doenças degenerativas fazem parte do nosso envelhecimento. Um mapeamento da dor com anestésico local poderá definir se você é um bom candidato a rizotomia de facetas. Esses procedimentos de coluna estarão no rol da ANS para o próximo ano.
    Vamos ver se isso sai do papel…

  • mundosemdor

    Mapear a dor com bloqueios diagnósticos e confirmada a origem da dor instituir um procedimento intervencionista.
    A radiofrequência poderá lhe ajudar neste caso.

  • mundosemdor

    Uma diferença de 1cm entre ambas as pernas é aceitável. Mais que isso pode ser necessário a correção com a colocação de palmilha corretiva em seus calçados. Uma escanometria ( raio X) ajuda a confirmar essa sua impressão e dizer qual a diferença de comprimento entre os membros. Se há diferença significativa, esta correto em dizer que se sente torto, rodado, já que haverá reflexos na cintura pélvica também.

  • mundosemdor

    Prezada Karol, tem situações em que a cirurgia é o recurso. Mas deve ser reservada como último recurso. Tentaria outras alternativas, como bloqueios com corticóide, radiofrequência, dentre outros, antes de fazer um procedimento irreversível.

  • mundosemdor

    Lara, todas as grávidas entram em um estado de paz impressionante.Aquelas que demandam medicações são obrigadas a interromper e continuam bem enquanto grávidas.
    Muitas são as alterações hormonais que ocorrem no corpo da mulher nesta época e é normal algumas queixas. Esteja atenta se a gravidez estava planejada. Se não estava, isto pode ser a origem do problema.

  • mundosemdor

    Simone, esta patologia depende muito do paciente para que ele melhore. O médico deve ser um bom ouvinte para lhe acolher e entender o que se passa com você. Portanto, ele já um médico com este perfil. Procure um médico que pessoas as quais você confie lhe referencie. Depois de passar sua história para o profissional eleito, questione sobre a possibilidade de ser este diagnóstico. O exame físico é muito importante para formular as hipóteses diagnósticas.

  • mundosemdor

    Se há sintomas de dor à extensão da coluna, esses podem acentuar com o nado, já que quando se faz a reposição de oxigênio, há hiperextensão da coluna nos nados crau, borboleta e peito. Isto não acontece no nado de costas. Talvez a bicicleta seja mais interessante. Discuta com seu médico, fisioterapeuta ou educador físico.

  • mundosemdor

    Gabi,
    Uma coisa é clara: a hérnia de disco lombar não é responsável por suas tonteiras. Procuraria passar por novas consultas como otorrinolaringologistas para ver se descobrem o motivo de sua tonteira. Outra lembrança: procure ver se não tem intolerância a glicose com alguns picos de hipoglicemia. Isto é algo que seu médico pode pesquisar.

  • mundosemdor

    Prezada Marian,
    Fico contente com seu comentário já que o blog é um espaço democrático para discussão e troca de experiências.
    Recebemos pacientes geralmente com dores crônicas e muita limitação. O objetivo nosso, seja através da administração de fármacos ou procedimentos intervencionistas em dor é reduzir escore de dor e propiciar ao fisioterapeuta melhores condições para que ele desenvolva o trabalho de fisioterapia analgésica e em tempo propicio, exercícios de reforço e estabilização. Em nossa estrutura, os fisioterapeutas fazem a ponte entre nós médicos intervencionistas e o educadorfísico. Ou seja, ele reencaminha este paciente ao educador físico no momento que considera ideal. O educador físico é uma peça fundamental na prevenção da recorrência da dor.

  • Marian

    Não concordo quando o sr. fala que os exercícios devem ser feitos por fisioterapeutas. Um profissional de Educação física também esta apto a prescrição e normalmente os pacientes não procuram o exercício ou o fazem sem orientação por acharem que a Educação física é feita para atletas. Vejo pessoas recuperarem suas funções pela prática de exercício muito mais que pela fisioterapia, que normalmente não da continuidade ao princípio do treinamento proposto pela fisiologia do exercício. Procure incentivar o exercício e não restringi-lo a tratamento. Exercício dirigido pelo profissional de Ed. Fisica também representa saúde e melhora das dores em geral. Experiência própria.

  • mundosemdor

    Marília, atividade física regular é fundamental para todos. Assim se consegue controlar melhor as dores. Claro que havendo dor, a atividade física deve ser diminuída ou mesmo suspensa. Se houver melhora do seu quadro com bloqueios facetários, uma radiofrequência pode ser indicada e prover-lhe alívio da dor por tempo longo, tempo suficiente para fazer uma reabilitação física adequada. Questões emocionais implicam em piora do quadro da dor.

  • mundosemdor

    Mayara, degeneração de coluna é algo que inicia-se a partir dos 16 anos de idade. Portanto, faz parte da existência humana. São como as rugas do rosto. O mais importante é o exame físico e a história clínica. Os exames de imagens auxiliam no diagnóstico, não sendo portanto o ponto de partida.

  • mundosemdor

    Mayara, atividade física regular é fundamental para todos. Assim se consegue controlar melhor as dores. Claro que havendo dor, a atividade física deve ser diminuída ou mesmo suspensa. Se houver melhora do seu quadro com bloqueios facetários, uma radiofrequência pode ser indicada e prover-lhe alívio da dor por tempo longo, tempo suficiente para fazer uma reabilitação física adequada. Questões emocionais implicam em piora do quadro da dor.

  • Marília

    Num aguento mais sofrer com tanta dor nas costas. Sofro com essa dor crônica desde a adolescência, mas só agora aos 34 descobri tratar-se de espondilose lombar. O curioso é que sempre travo qdo faço esforços físicos do tipo limpar casa, dirigir, e a dor só piora com os movimentos percebo também que há efeito cumulativo na dor quando estou passando por períodos de grande tensão e estresse. Isso procede? E em relação aos exercícios físicos qdo estou em crise nem consigo fazê-los, o ideal é fazer somente em período sem dor? Não consigo achar nenhum remédio que surta efeito, pois já tomei praticamente de tudo q se possa imaginar ao longo de 20 anos, a dor num passa qdo em crise, fico por 15-20 dias travada, tomando remédios e injeções fortes, o q devo fazer? Essa dor tem me deixado em estado de constante estresse e nervosismo. Tbm sofro de depressão, tem alguma relação?! Agredeço desde já pelos esclarecimentos

  • Mayara

    Oi, tenho 26 anos(mulher)sinto muita dor na coluna e nuca(principalmente com esforço e no trabalho)fiz um raio x e deu apenas um leve desvio toracico para direita depois fiz uma res. magnetica que deu espondilose dorsal incipiente, pelo que li é uma degeneração, é comum na minha idade?O que realmente significa?

  • mundosemdor

    Achados radiológicos são somente um norte. Um bom exame físico é mais esclarecedor juntamente com sua história . Medicações podem lhe ajudar e procedimentos intervencionistas também podem ser propostos.

  • mundosemdor

    Este diagnóstico faz parte do processo natural de envelhecimento do ser humano. A prevenção é manter atividade física regular, preferencialmente de baixo impacto.

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