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ESPONDILITE ANQUILOSANTE DE COLUNA: 3 SINAIS DE ALERTA

Doença inflamatória crônica, tipo de artrite, afeta principalmente as articulações da coluna vertebral

A Espondilite Anquilosante (EA), ou doença de Bechterew, não tem cura, mas, quando diagnosticada logo no começo, a dor e os outros sintomas podem ser tratados, contribuindo para a redução das complicações da doença.

Os sinais de alerta:

  • Dor na coluna sem ter sofrido nenhum trauma
  • Rigidez da coluna, piora com o repouso (ex.: de manhã ao levantar)
  • Postura curvada? (“corcunda”, costas, ombros e pescoço inclinados para frente)

CONHEÇA

A doença é considerada reumática e hereditária e é mais frequente em homens jovens, com o surgimento dos sintomas no final da adolescência até em torno dos 30 anos. Mas, pode surgir em qualquer idade, e em mulheres também. Sabe-se que seu desenvolvimento é associado à ativação do gene HLA-B27, mas o gatilho (fator iniciante) continua desconhecido. No Brasil, por ano, 150 mil pessoas sofrem de dor na coluna causada por Espondilite Anquilosante.

fonte imagem: http://meetings.ami.org/2017/project/11a-2-2-2-2/
Ilustradora: Natasha Mansfield

Apesar de ser mais comum na coluna e nas articulações “maiores” (quadris, joelhos, ombros, calcanhar e bacia), pode ocorrer nos olhos e nos órgãos internos (coração, intestino e pulmões).

O que causa a dor na coluna

Ilustração da coluna saudável, coluna com inflamação e coluna com fusão de vértebras.    Fonte imagem: spineuniverse.com

Vamos ver como a dor surge. Quando há desgaste nas cartilagens das vértebras (típico das artrites), começam a ter atrito com o disco intervertebral. Isto resulta na inflamação dos nervos e os tecidos circundantes, deixando o movimento doloroso. Com maior desgaste, pode chegar a  osso entrar em contato com osso.

Em casos graves, pode haver até a fusão das vértebras, levando à redução severa da mobilidade. Neste estado a coluna fica rígida e em um estado chamado de “coluna de bambu”, por ter “juntas” salientes que os mantém eretos.

Imagem radiográfica da coluna lombar, frontal e lateral mostrando fusão extensiva. Compara-se à vara de bambu que não consegue dobrar nas “juntas”.                                                                                            Fonte imagem: https://www.researchgate.net/Bamboo-Spine-Frontal-and-lateral-radiographs-of-the-lumbar-spine-showing-extensive_fig18_314914201 [accessed 11 May, 2018]

Principais sintomas – dor e rigidez

As crises de dor seguem um padrão de intervalos irregulares –melhora um tempo, piora, depois melhora de novo. A rigidez da coluna piora com o descanso, de manhã quando acorda, por exemplo, ou com a prática de atividades que requerem muito esforço.

Quanto mais rígida a coluna, maior a tendência de ter uma postura acorcovada, típico no estágio avançado. E não é só uma questão de aparência, nem dor, uma complicação ainda maior pode ser a dificuldade para respirar, pois poderá comprimir os pulmões.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é baseado em exames clínicos e laboratoriais, história do paciente, com o auxílio de exames de imagens como TC (tomografia computadorizada) e RMN (Ressonância Magnética Nuclear). O exame de sangue identifica o gene HLA-B27. No entanto, sua presença não implica que desenvolverá a EA porque ainda não se sabe o que engatilha sua expressão.

TRATAMENTO

O objetivo do tratamento é aliviar a dor e diminuir o estresse sobre as vértebras, conter a evolução da doença e manter/melhorar a boa mobilidade. Seus pilares são os medicamentos, fisioterapia e exercício físico.

Manejo da dor

A primeira linha de tratamentos inclui anti-inflamatórios não-hormonais (AINEs). Se estes não funcionarem, o médico intervencionista de dor pode fazer injeções epidurais para injetar os anti-inflamatórios na região dos nervos afetadas para diminuir a inflamação e inchaço mais rápido e por mais tempo. Para conter a progressão da doença, terapias biológicas podem ser prescritas. São medicamentos mais avançados que tratam o sistema imunológico (a EA é considerada uma doença autoimune). A fisioterapia é indicada para o reforço muscular, a manutenção da amplitude de movimento e o controle postural (melhora tanto o físico quanto a auto-estima).

A natação é um excelente exercício físico para o manejo da espondilose anquilosante.                        Fonte imagem: pexel.comExercício físico

Exercício regular de 5 a 10 minutos por dia podem ter efeito benéfico, melhorando a flexibilidade e fortalecendo os músculos que suportam a coluna e o pescoço. Hidroterapia, pilates, yoga ou tai chi , natação, caminhada, o que lhe der prazer e com o aval do seu fisio.

Uma dieta rica em alimentos anti-inflamatórios e a perda de excesso de peso também poderão ajudar a combater a inflamação e o estresse excessivo na articulação.

Concluo reforçando que é importante iniciar o tratamento da Espondilite Anquilosante o quanto antes, para conseguir reduzir a dor e inflamação, promover o aumento da mobilidade, e reduzir as complicações da doença. “Antes prevenir do que remediar”. Não é verdade?

Na visão da Medicina Intervencionista da Dor, qualquer programa de controle dos sintomas tem enfoque multidisciplinar e o objetivo é sempre a restauração da qualidade de vida e da função do/a paciente.

Está vindo aí, nesta próxima quinzena de maio, a campanha de conscientização sobre a Espondilite Anquilosante. Se você gostou do artigo, compartilhe, obrigado! Seus comentários e perguntas são sempre bem-vindos.

Referências

 

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