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BOMBAS DE INFUSÃO: ALTA TECNOLOGIA NA RECONQUISTA DA FUNCIONALIDADE

A medicina intervencionista da dor é um campo que promove um grande intercâmbio entre especialidades médicas distintas e cria uma sinergia com outros profissionais da saúde: fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, em torno dos valores da humanização. Mas muitas vezes é necessário também empregar a alta tecnologia. Um exemplo é a bomba de infusão de fármacos.

Sistema de bombas implantáveis

O sistema de bombas implantáveis serve para dores de difícil controle, seja ela oriunda de um estágio avançado de câncer ou uma dor “benigna”, que traduzo aqui como dor de origem não oncológica.

Para exemplificar um caso de dor “benigna”, consideremos um paciente com contraturas musculares em estágio avançado (espasticidade no jargão médico), em uso de relaxante muscular em doses elevadas como recomendado pela literatura e com efeitos colaterais intoleráveis, um caso que acontece com alguma frequência. O que fazer?

Ao utilizarmos uma bomba implantável no espaço intratecal (na camada mais próxima da medula), a dose necessária da mesma medicação, comparada com a dose por via oral utilizada, é reduzida em até 300 vezes, o que faz reduzir esses efeitos colaterais. O mesmo raciocínio é aplicado nos pacientes com câncer em uso deste sistema implantável: redução na quantidade de medicamentos pela via oral.

Esse controle na velocidade em que a medicação é infundida pela bomba é realizado por controle telemétrico, na presença do paciente, onde utilizamos um equipamento programador para tal fim. Desta forma, podemos realizar inúmeras programações de infusão, seja fluxo contínuo ou intermitente.

Desenho de bomba implantada no espaço intratecal da coluna e foto da bomba de infusão de fármacos com programador.

Desenho de bomba implantada no espaço intratecal da coluna e foto da bomba de infusão de fármacos com programador.

Veja uma sequência de fotos de um procedimento de implantação de uma bomba de infusão realizado pelos Drs. Charles Oliveira (centro), Antonio Barata (esq.) e Luis Alfonso Moreno da Espanha no período pré-3º Congresso Sobramid.

IMPLANTAÇÃO DE UMA BOMBA DE INFUSÃO DE FÁRMACOS

1. Implantação de uma bomba de infusão de fármacos. Drs. Antonio Barata, Luis Alfonso Moreno, Charles Oliveira. 2. Primeiro implanta-se o cateter. 3. Inserção da bomba de infusão. 4. Uma bomba de infusão de fármacos com aparelho programador.

1. Implantação de uma bomba de infusão de fármacos. 2. Colocação do cateter guiado por US e fluoroscopia. 3. Inserção da bomba de infusão.   4. Uma bomba de infusão de fármacos com aparelho programador.

Imagine esta situação: uma pessoa que tenha dor, costuma sentar-se às 12:00 para almoçar com os filhos; uma dose extra de medicação pode ser adicionada ao programa de fluxo contínuo já existente, para ser infundida 15 minutos antes desse horário habitual do almoço, o que servirá na prevenção desse episódio de dor.

Muitas são as medicações utilizadas, sendo as mais rotineiras morfina, marcaína (um tipo de anestésico local) e baclofeno (relaxante muscular).

Assim, com uma boa mescla de medicamentos e com o apoio de uma equipe integrada, podemos reconquistar funções importantes na vida das pessoas, tais como ir a um shopping, tomar banho sozinha ou voltar a ter prazer no convívio social.

Esses pequenos exemplos de restituição de funcionalidade que citei, que passam desapercebidos pelas pessoas saudáveis, fazem muita diferença na vida de quem sente dor 24 horas por dia, 7 dias por semana. Toda redução na intensidade da dor deve ser valorizada e comemorada.

 

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