PROCEDIMENTOS GUIADOS POR ULTRASSOM

4 abr

PROCEDIMENTOS GUIADOS POR ULTRASSOM

A ultrassonografia já é largamente aceita para guiar procedimentos em medicina interna (UTIs), embora outros exames de imagens como a tomografia computadorizada(TC) e intensificador de imagens também possam ser utilizados. Hoje a ultrassonografia tem boa aceitação na anestesia regional, medicina esportiva, medicina regenerativa e medicina intervencionista da dor.

Pode ser utilizado a beira do leito, sendo um dos seus pontos positivos evitar a exposição à radiação que ocorrem na escopia ou TC. Devido à boa resolução das imagens dos músculos, nervos, vasos, tecidos conectivos e vísceras, facilita a visualização da área sendo tratada, inclusive o movimento da agulha em tempo real.

Procedimento em quadril guiado por ultrassom a beira do leito

Localização da bursa no quadril e injeção de medicação guiado por ultrassom a beira do leito.

Por exemplo, em um procedimento de PRP (injeção de plasma rico em plaquetas) no joelho, para evitar complicações e perda do biomaterial o médico intervencionista precisa inserir a agulha com a maior precisão possível. Guiado por US, ele consegue visualizar o local, planejar onde vai inserir a agulha, marcar o ponto, puncionar e avançar a agulha até o alvo com grande acurácia.

Nas técnicas tradicionais guiadas por fluoroscopia, o médico intervencionista da dor se baseia na identificação de referências anatômicas e a difusão do contraste para mostrar a ponta da agulha introdutória, para depois administrar um anestésico ou medicação. E o escaneamento é intermitente, não em tempo real como no ultrassom. Tais práticas expõem pacientes e funcionários à radiação, e necessidade de uma sala própria já que o intensificador de imagens não é deslocável como um ultrassom portátil. É importante afirmar que nos dias atuais o intensificador de imagens continua sendo o modelo padrão (gold standard) para realizar procedimentos intervencionistas.

Veja post do blog Mundo sem Dor com vídeo de procedimento PRP guiado por US realizado no Singular – Centro de Controle da Dor

De acordo com Dr. Charles Amaral de Oliveira do Singular – Centro de Controle da Dor, “A cada dia estou mais empolgado. Acredito que cada consultório médico em um futuro não muito distante, deverá ter um para melhorar a propedêutica. E para realizar bloqueios guiados…perfeito!”

Médico intervencionista visualiza imagem dinâmica do músculo piriforme em movimento durante procedimento intervencionista.

Médico intervencionista de dor, Dr. Charles Amaral de Oliveira, visualiza imagem dinâmica do músculo piriforme em movimento durante procedimento intervencionista.

US no manejo da dor
Dr. Charles explica que, devido à sua eficácia, facilidade de uso e precisão, o US já faz parte da rotina dos médicos intervencionistas de dor e lista como vantagens: não é invasivo; não possui efeitos nocivos significativos; não utiliza radiação ionizante; produz imagens mais detalhadas dos tecidos moles e as estruturas musculoesqueléticas em tempo real.

Bloqueios guiados por US mais precisos
Além disso, a taxa de sucesso é de 99% nos bloqueios diagnósticos e terapêuticos guiados por US.

Mudancas nas tecnicas de bloqueios anestesicos

O exame facilita a localização e exame detalhado dos nervos menores e das estruturas em torno do alvo; permite a visualização direta da difusão do material injetado (anestésico local, anti-inflamatório, biomaterial, etc.), assim como evita lesão de estruturas importantes como vasos sanguíneos. Isto aumenta a acurácia dos bloqueios seletivos e consequentemente, reduz as dosagens de anestésicos, pois evita perdas. O resultado: menos complicações e efeitos pós-procedimento.

Naturalmente, há situações em que o US tem limitações, como sombra acústica gerada pelos ossos, resolução de imagem reduzida em profundidade, e visibilidade menor da agulha com ângulo maior de inserção.

Visualização de imagem US de Tendão patelar em tempo real

Visualização do tendão patelar por US. Do lado direito da imagem, visão mais detalhado do tendão.

Treinamento em US no Brasil
Como ocorre com toda ferramenta, o profissional precisa ser treinado para usá-la. Aprender a manusear o transdutor e conhecer bem a anatomia das estruturas músculo-esqueléticas são alguns conhecimentos básicos.

Sempre sintonizado com as demandas educacionais globais, o Singular Cursos ofereceu em 2011, o I Curso Básico de Ultrassom no Diagnóstico e Tratamento da Dor, com professor americano e co-autor do atlas de procedimentos, Dr. Mike Gofeld, professor e diretor do centro de dor da Universidade de Washington, e presidente do AAPMU (sigla em inglês para a Associação Americana de Ultrassom no Manejo de Dor). No curso II, os convidados internacionais foram Dra. Andrea Trescot do World Institute of Pain e Dr. Sang Lee da Universidade de Seul e no curso III, Dr. Michael Brown da Universidade de Seattle.

No próximo post, continuando no tema de US no diagnóstico e tratamento de dor, Dr. Charles escreve sobre bloqueios para dor de cabeça e lesão em chicote, guiados por US. Não percam!

Texto por Camille Khan, editora do blog Mundo sem Dor

Referência:

¹Use of Ultrasound in Chronic Pain. Simpson, G. Nicholls,B. http://ceaccp.oxfordjournals.org/content/13/5/145.short?rss=1]. Acessado em 24/03/2014 às 14.32.


Ultrassom – método seguro chegou para ficar

1 abr

Ultrassom – método seguro chegou para ficar

Ícone da profissão médica, o estetoscópio, agora conta com um aliado forte e cada vez mais popular nos consultórios e procedimentos médicos: o ultrassom (US). Além de examinar o paciente externamente “ouvindo” os sons emitidos pelos órgãos com estetoscópio, o médico consegue fazer o mesmo “vendo” imagens dos tecidos moles, vasos, tendões, músculos, nervos, e articulações em tempo real com o aparelho de US.

Ultrassom atraves dos temposCom sua evolução, a ultrassonografia, antes mais conhecido por seu uso na área obstétrica, consolida seu lugar na medicina como exame de imagens seguro para ser usado a beira do leito, sem utilização da radiação ionizante.

Entre nós médicos, o US chega a ser chamado de “estetoscópio do médico esportivo”.  E pensar que um dia tinha de ficar submerso, imóvel na banheira para fazer a imagem como mostra a foto maior em preto-e-branco ao lado!

Ultrassom diagnóstico e terapêutico
Dr. Samir Narouze, autor do “Atlas de Procedimentos Guiados por Ultrassom na Medicina Intervencionista da Dor” (Ed. Springer 2010), escreveu assim: “Alguns estudos clínicos indicam que a ultrassonografia diagnóstica pode ser superior ao exame físico, entao várias escolas de medicina americanas oferecem agora treinamento em ultrassom nos estágios iniciais dos seus programas – embora ainda não haja consenso sobre esta abordagem.”

A disseminação do seu uso ganhou reforço com uma publicação no New England Journal of Medicine neste mês de março, em que dois professores do Brigham Young Women’s Hospital, hospital-escola de Nova Iorque, Drs. Scott D. Solomon e Fidencio Saldana, defendem o uso do US a beira do leito. Convictos do papel do exame em diagnósticos e tratamentos, propõem a inclusão de treinamento em ultrassom como disciplina nos cursos de medicina.

Além de salvar vidas, a tecnologia reduz os custos à saúde pública por ajudar a chegar a um diagnóstico em menor tempo e por evitar procedimentos exploratórios mais caros e invasivos. Um grande número de centros médicos e consultórios particulares já contam com o aparelho devido ao seu custo relativamente moderado.

Diante da popularização da ferramenta, uma pergunta é inevitável: será que esta tão distante o tempo em que cada consultório médico terá seu aparelho de US?

Ainda esta semana leia sobre os procedimentos guiados por US da perspectiva do médico intervencionista de dor. Não percam!

Texto: Camille Khan, editora do blog Mundo sem Dor


O MODELO DE DOR DE LOESER

13 mar

O MODELO DE DOR DE LOESER

Enfatizando minha ressalva no post de segunda-feira sobre a percepção da dor crônica e a importância do tratamento multidisciplinar, voltamos ao tema com um artigo sobre o modelo do Dr. John Loeser, autoria de José Luiz Siqueira, um dos psicólogos do Singular Centro de Controle da Dor. Dr. Loeser afirma que a complexidade do fenômeno doloroso torna necessária uma avaliação multidisciplinar de cada caso, envolvendo a contribuição de diferentes profissionais, como psicólogos, fisioterapeutas e psiquiatras, sob a liderança de um médico especializado no manejo da dor. Boa leitura! (mais…)


Dor Crônica – como é percebida e tratada

10 mar

Dor Crônica – como é percebida e tratada

Espero que tenham aproveitado bem o Carnaval!

Hoje compartilho com vocês um TED talk com exemplo prático bem interessante sobre como a dor é percebida por uma pessoa que sofre de dor crônica e como ela é tratada hoje. Lembrando que a dor crônica é aquela que é contínua ou recorrente com mais de três a seis meses de duração, podendo se tornar uma doença em si, com uma série de desdobramentos, que necessitarão de cuidados. A sensibilização à dor fica aumentada e o limiar de dor diminuída. (mais…)