Alimentos: cura ou causa de doenças inflamatórias e dolorosas crônicas?

17 mai

Alimentos: cura ou causa de doenças inflamatórias e dolorosas crônicas?

Em algum momento da vida, sofrendo de algum mal, você já deve ter recebido alguma indicação de consumir ou evitar algum alimento para melhorar seu mal-estar, não é?

Em cada pessoa, de forma singular, o alimento pode exercer um papel curador ou causador de doença. Algumas doenças inflamatórias crônicas como a fibromialgia e a enxaqueca, que ocorrem mais em mulheres, podem ser desencadeadas por alimentos.

A convite do Dr. Charles, Dr. Gilberto de Paula, nutrólogo, imunologista, e fundador da Academia Brasileira de Saúde Ambiental, compartilhará seus conhecimentos com os nossos leitores sobre a relação entre alergias e doenças inflamatórias e dolorosas crônicas.

ALERGIAS ALIMENTARES – SUA RELAÇÃO COM DOENÇAS INFLAMATÓRIAS E DOLOROSAS CRÔNICAS – Parte 1

By Dr. Gilberto de Paula

Teste intradérmico positivo para Trigo

Talvez uma das causas de doenças inflamatórias e dolorosas crônicas mais negligenciadas sejam as alergias, sensibilidades, intolerâncias, reações tóxicas e/ou farmacológicas a alimentos.

Convido-lhes a conhecer um pouco da história e evolução da medicina ambiental, que trata as alergias alimentares.

O que os antigos sabiam sobre a ação dos alimentos na cura ou na causa das doenças

Desde a Antiguidade clássica, existem numerosos relatos médicos de excelente qualidade relativo aos efeitos dos alimentos e dietas na saúde humana. Dietas restritivas ou reforçadas fazem parte das intervenções médicas há pelo menos quatro mil anos!

“Ut quod ali cibus est aliis fuat acre venenum”, “O que é alimento para uns é veneno para outros” – De rerum natura, de Lucrécio, [c. 98–55 a.C.]; e “Fazei do teu alimento teu remédio e do teu remédio teu alimento”, Hipócrates [c. 460–377 a.C] são aforismos da antiguidade médica grega, em que se destaca a natureza bipolar dos alimentos. Já na Idade Média o pai da farmacologia (iatroquímica¹), Paracelso [c. 1493–1541] enunciava: “A diferença entre remédio e veneno é a dose”.

Ao longo dos séculos, vários médicos perceberam relações entre a ingestão de alimentos e reações inflamatórias e dolorosas. No séc. XII, Moisés Maiomônides [1135–1204], médico judeu-árabe, já estabelecia uma possível relação dos alimentos com doenças, inclusive, traduziu uma série das orientações do Hipócrates sobre o manejo nutricional de doenças agudas e crônicas.

O que sabemos hoje

Há 2400 anos, Aristóteles, disse que a Ciência adora surpreender-se com o óbvio. A exemplo disso, nos últimos doze anos presenciamos o surgimento de uma enorme quantidade de publicações científicas sobre as propriedades farmacológicas, funcionais (nutracêuticas²) dos alimentos.

Isto quer dizer que temos muita informação disponível sobre o papel dos alimentos como remédio, validado cientificamente tanto por universidades ocidentais quanto por orientais.

Sendo assim, quando assumimos que um alimento pode atuar como remédio, reconhecemos que o alimento, nessa condição, pode ter efeitos colaterais indesejáveis e atuar causando perturbações no funcionamento do organismo – bipolaridade de ação farmacológica. Em outras palavras, o alimento funciona como veneno ou como remédio!

Medicina ambientalista

Baseado em todo esse corpo de conhecimento, nos anos 1960, médicos americanos tornaram vivo esta medicina, e a chamaram de Medicina Ambiental. Este campo de atuação médica estuda os efeitos do meio ambiente (água, alimentos e ar) sobre o organismo humano.

Ela parte do conceito da adaptação do ser humano ao meio ambiente. Esse processo pode ser bem ou malsucedido e, no caso de não ser bem-sucedido, surgem as doenças da inadequada adaptação.

Denominando-se ambientalistas ou ecologistas clínicos, durante cinquenta anos, por meio da Academia Americana de Medicina Ambiental, fomentaram estudos, pesquisas, publicações e cursos sobre alergia alimentar crônica baseados em conhecimentos atuais das áreas de imunologia, alergia e toxicologia.

Uniu-se os conhecimentos destas três áreas para interpretar e compreender as reações inflamatórias dos organismos humanos aos fatores ambientais.

Ao esclarecer quais fatores ambientais desencadeiam um processo inflamatório, o médico passa a ter condições de curar um paciente cronicamente afetado por uma inflamação. Veja o relato do paciente neste vídeo.

Caso um alimento seja responsável pelo desencadeamento de uma síndrome inflamatória dolorosa, como a fibromialgia, e esse alimento seja retirado, ocorre a reversão total da doença.

Ou no caso de outra condição, cuja causa seja mofo (fungo do ar) em uma casa contaminada, quando a pessoa é afastada da casa infectada ou a casa tratada do fungo, o resultado é a cura.

Anualmente, esta Academia realiza treinamentos no Kansas para médicos de todo o mundo interessados em reações de hipersensibilidade tardias a inalantes, alimentos e químicos.

Relação da Medicina Ambiental com doenças inflamatórias dolorosas

O grande desinteresse de agências financiadoras de pesquisa em aprofundarem-se nos estudos desses métodos de diagnóstico e tratamento de doenças inflamatórias e dolorosas é decorrente do fato de que o foco não é o tratamento farmacológico e sim, baseado no estabelecimento de uma relação de causa e efeito entre um ou determinado conjunto de alimentos e uma doença inflamatória e/ou dolorosa.

As doenças inflamatórias resultam de reações de adaptação dos organismos a fatores ambientais; se uma pessoa for colocada em um ambiente livre de poluentes ambientais, água, ar e alimentos por um determinado tempo, a quase totalidade de seus padecimentos tende a entrar em remissão.

A inflamação é uma resposta adaptativa a fatores ambientais. Um exemplo: uma pessoa que tem asma e vai para uma região montanhosa ou para um deserto ou praia, locais nos quais a poluição do ar é bem reduzida, em regra geral tende a melhorar e a asma tende a entrar em remissão.

Quando o processo inflamatório for ocasionado por alimentos e isso for percebido pelo médico que assiste o paciente por meio da observação clínica, aplicação de questionário, e for diagnosticado por métodos confiáveis, existe grande possibilidade, uma vez estabelecido esse fato, ao excluir/em-se o/os alimento/s ofensivo/s por um período de três a seis meses, de ocorrer a remissão dos processos inflamatórios, por vezes rebeldes a vários tipos de tratamentos.

No próximo post, Alergia Alimentar Imediata e Tardia. Você já leu algo sobre este assunto?

Glossário

¹iatroquímica – sf (iatro+química) Doutrina médica que surgiu durante o século XVI, a qual atribuía a causas químicas tudo o que se passava no organismo, são ou enfermo. (Fonte:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=iatroqu%EDmica)

²nutracêutico – a portaria nº 398, de 30/04/99, da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde no Brasil diz que “é alimento funcional todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos, fisiológicos ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica” (ANVISA, 2001).


Presenteísmo: presença física no trabalho porém ausente mentalmente

9 mai

Presenteísmo: presença física no trabalho porém ausente mentalmente

Uma preocupação crescente dos RHs (recursos humanos) de grandes e médias empresas é com funcionários fisicamente presentes em seus postos de trabalho mas sem gerar produção, devido a problemas de saúde. Isto é conhecido como Presenteísmo. Esclarecendo, não falamos aqui de pessoas que ficam na internet, MSN ou outras mídias sociais sem foco no trabalho. Aqui estão pessoas realmente doentes com rinite, asma, dor de cabeça, depressão, dor de coluna, artrites, doenças intestinais e outras.

ginástica laboral

 

Em publicação da Harvard Business School Press,  o custo do presenteísmo às companhias americanas  é de 150 bilhões de dólares/ano, muito maior que o absenteísmo (falta ao trabalho). O absenteísmo é facilmente identificado e contabilmente precificado. Já analisar o presenteísmo não é uma missão simples.

De um estudo do New England Medical Center de Boston, cito algumas patologias e o impacto na perda de produção:

dor de cabeça – 12% de prevalência, perda de produção de 4,9%

dor lombar crônica – 21,3% de prevalência, perda de produção de 5,5%

gripe – 17,5% de prevalência, perda de produção de 7,6%

Você consegue imaginar um corretor de imóveis, deprimido, vendendo um apartamento dos sonhos? Ou um mecânico de equipamentos pesados trabalhando com dor lombar? São situações inimagináveis!

Percebemos hoje um movimento incipiente das empresas em investir em tratamentos terapêuticos e preventivos de seus empregados financiando integralmente ou parcialmente vacinas anti-gripais, tratamentos de depressão, tratamento das dores crônicas lombares, com o objetivo de reduzir o impacto financeiro negativo do presenteísmo.

Resumindo, a equação final é: funcionário saudável e feliz = maior produção!


Dor na Coluna relacionada com o trabalho

1 mai

Dor na Coluna relacionada com o trabalho

Parabéns trabalhadores! Descanso merecido!

O trabalhador, envolvido em um trabalho repetitivo, seja manual, esportivo, ou no escritório, costuma estar entre os que mais se queixam de dores na coluna. Hoje nosso tema continua com foco na dor de coluna, como na semana passada, no entanto, com algumas orientações para os que enfrentam trabalhos repetitivos todos os dias, incluindo profissionais médicos!

Utilizaremos como exemplo de dias de trabalho perdidos por dor na coluna, o exemplo do Reino Unido, onde, em 2008/09, cerca de 9.3 milhões de dias de trabalho foram perdidos devido a dor na coluna relacionada com o trabalho e outras condições musculoesqueléticas.

“Fiquei de cama com dor na coluna”

Muitas pessoas que tem dor na coluna relacionada com o trabalho ficam tentados a ficar deitado até a dor passar, mas, em geral, isto não ajuda e pode até agravar a situação, pois, quanto mais tempo ficar sem se mexer, mais fracos se tornam os músculos e mais vão doer ao longo prazo.

Aliado ao analgésico ou relaxante muscular, a melhor maneira de lidar com a dor e ajudar na recuperação da sua mobilidade é manter as suas atividades diárias, e tentar retornar ao trabalho o mais rápido possível.

Exercícios que fortalecem as pernas, costas e abdômen ajudam a manter a coluna saudável.

Obs.: aqui estamos falando mais especificamente de dores causadas por má-postura, estresse, desgaste das articulações, músculos estirados resultantes do trabalho, e não de dor crônica ou doenças da coluna. No caso destes, existem tratamentos mais avançados no degrau de tratamentos indicados após consulta médica.

Ginástica laboral por conta própria

Se o seu local de trabalho não oferece a ginástica laboral, procure, em intervalos ao longo do dia, fazer alongamentos, levantar-se, andar…enfim,  levar sangue, e consequentemente oxigênio, para todas as partes do corpo. O corpo e o cérebro agradecerão!

Beber água

E para lubrificar as articulações e manter os músculos viçosos, tomar em abundância aquele presente da Mãe Natureza – a água. Ao longo do dia a somatória é mais saúde. Só de levantar e ir tomar um copo d’água, ao invés de bebericar da sua garrafinha, já significa uma pequena quebra no trabalho, seja ele sentado, em pé ou carregando alguma coisa.

Postura saudável no trabalho

A postura é um elemento-chave na prevenção das dores de coluna. Tente variar a postura e não ficar na mesma posição por horas a fio.

Lembre-se disso na hora do sentar ao computador, ficar em pé, levantar pesos (até em casa na hora de ver TV, sentar e deitar) ou treinar, no caso do atleta. Leia sobre Postura no computador
 

 

Exercício físico

E voltamos sempre ao exercício físico. Exercite-regularmente e tente manter o peso ideal.

Nossos ancestrais se mantinham em forma caçando, pescando, plantando, preparando seus próprios alimentos. Como nossa sociedade evoluiu e não temos de fazer estas variadas atividades mais para nossa sobrevivência, acabamos em uma nova rotina: no campo, utilizar máquinas ou ferramentas o dia todo; na cidade, ir para o escritório.

E a hora de fazer o exercício físico para trabalhar todos os músculos, esticar, alongar, respirar, descansar nossa mente, de uma maneira natural…ficou sendo uma opção, um estilo de vida a ser readotado.

A todos uma ótima semana!

E não se esqueçam! Escrevam, comentem, participem!


Tratamentos da dor discogênica

23 abr

Tratamentos da dor discogênica

Dando sequência à dor discogênica, vamos falar hoje sobre os tratamentos.

Trabalhos de Nakamura datados de 1996 concluíram que os discos intervertebrais lombares baixos teriam suas invervações conduzidas através dos ramos comunicantes e cadeia simpática até o gânglio da raíz dorsal de L2 (GRDL2). Baseado nestes estudos primários, Gauci (Londres) e nós do Singular(Campinas), passamos a trabalhar nestes alvos para diagnósticar e tratar as dores discogênicas.

bloqueio gânglio da raíz dorsal de L2

Nossa primeira abordagem, quando suspeitamos de dor discogência, é fazer um bloqueio diagnóstico com 0,5ml de anestésico local no GRDL2 direito e esquerdo. Havendo melhora da dor acreditamos que se trata de uma dor de origem discogênica. Se esta dor retornar, indicamos então uma radiofrequência pulsada neste mesmo alvo. Assim, esperamos que a melhora da dor seja mais duradoura quando comparado ao bloqueio com anestésico local; viabilizando uma reabilitação física mais efetiva.

Se não há melhora com o bloqueio diagnóstico do DRGL2, verificaremos através de novos bloqueios diagnósticos, se a causa da dor possa vir das articulações sacroilíacas, das facetas articulares ou de músculos (dor miofascial). Se nada esclarecer o caso, partiremos para discografia provocativa, tema de nosso último post.

Há procedimentos intradiscais que prometem promover  a denervação dos receptores de dor do disco intervertebral, os quais estão localizados no 1/3 externo do disco intervertebral. Para isso,  utilizamos técnicas de radiofrequência como os materiais IDET e Transdiscal.

procedimento intradiscal IDET

O alívio da dor obtido pelos procedimentos de dor será prolongado com mudanças de atitude de vida tais como perda de peso, atividade física regular, reforço dos músculos estabilizadores da coluna. Bom, isso é tema para outro dia.

Você pode ler sobre esses  trabalhos nossos  no http://www.singular.med.br/index.php/pt/cientifica.html

Boa semana!


Curso do Singular em procedimentos intervencionistas de dor foi um sucesso!

16 abr

Curso do Singular em procedimentos intervencionistas de dor foi um sucesso!

Dia 14 de abril finalizamos o I Curso Singular de Procedimentos Intervencionistas em Dor. Ficamos muito felizes com o resultado final e com a impressão que esse maravilhoso grupo de 13 amigos nos deixou.

Foram 7 encontros intensos, 1 sábado por mês,  onde intercalávamos  aulas teóricas, procedimentos demonstrativos ao vivo e simulação de realidade com intervenções em um robô desenvolvido para tal fim.  Em cada um desses encontros, contávamos  com a presença de um a dois convidados estrangeiros.

Parabenizo todos esses heróis da primeira turma: Fernando Schmidt, Fernando Bufon, José Augusto Lopes, Breno Santiago, Lia Pelloso, Orlando Colhado, Ana Maria Martins, Daniela Medeiros, Mariana Palladini, Pedro Ferreira Neto, Paulo César Mariano, Fabrizio Borges, José Augusto Lemos, Charles Carazzo.

Facilitadores sentados: Charles Oliveira, Fabrício Assis, Andrea Trescot, Karina Subi

Facilitadores sentados: Charles Oliveira, Fabrício Assis, Andrea Trescot, Karina Subi

 

Em nome de todo time do Singular – Centro de Controle da Dor, agradeço a confiança que  vocês depositaram neste projeto pioneiro  o qual a WIP ( Instituto Mundial da Dor) tomou como modelo para expansão em outros mercados mundiais.

 

 

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